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O que é dissídio? Convenção e acordo coletivo: qual a diferença

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Dirigentes sindicais com o jornal da Campanha Salarial Unificada em frente à fábrica da Santher

Dissídio coletivo é o processo na Justiça do Trabalho que decide reajuste e condições de trabalho quando sindicato e patrões não chegam a um acordo (Constituição, art. 114, § 2º). Convenção coletiva é o contrato entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato das empresas, e vale para toda a categoria na base, sócio ou não (CLT, art. 611). Acordo coletivo é o contrato entre o sindicato e uma empresa (ou algumas empresas), e vale apenas para quem trabalha nelas (CLT, art. 611, § 1º). Para o papeleiro de São Paulo, até sair a nova convenção, a referência são os últimos números negociados pelo SINTIPACESP.

Na fábrica, muita gente chama tudo de "dissídio": o reajuste de outubro, a cesta, o abono. São coisas diferentes, e a diferença mostra de onde vem cada direito.

O que é dissídio?

Dissídio coletivo é uma ação na Justiça do Trabalho, julgada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Só acontece quando a negociação trava de vez. Aí os juízes decidem reajuste e cláusulas, na chamada sentença normativa.

Desde 2004, a Constituição exige que os dois lados concordem em levar a disputa para a Justiça (art. 114, § 2º). Isso é raro. Quase tudo o que o papeleiro tem hoje veio da mesa de negociação.

Por que então todo mundo fala "dissídio"? Porque, durante décadas, o reajuste de muitas categorias saía mesmo da Justiça. O nome pegou. Quando o colega diz "saiu o dissídio", ele quer dizer "saiu o reajuste da data-base".

Quando é o dissídio dos papeleiros?

A data-base dos papeleiros de São Paulo é 1º de outubro: é quando o reajuste e as novas condições passam a valer, todo ano.

A Campanha Salarial 2026/2027 está em negociação agora. A convenção 2024/2026 venceu em 30 de setembro de 2026. Até sair a nova, os últimos números negociados são a referência: piso de R$ 2.633,40 por mês (R$ 11,97 por hora), reajuste de 5,50% sobre os salários de 30/09/2025, abono extraordinário de R$ 3.350,00 e cesta de alimentos de R$ 550,00 por mês, no mínimo.

Quando a convenção nova sai depois de 1º de outubro, o sindicato negocia o reajuste desde a data-base, e a diferença dos meses anteriores é paga de uma vez. É isso que a mesa cobra.

O salário já reajustado não pode ser reduzido (Constituição, art. 7º, VI). Mas a lei não prorroga a convenção vencida por conta própria (CLT, art. 614, § 3º). Por isso o sindicato tem pressa em fechar a nova: enquanto ela não sai, os últimos números negociados são a referência, e nenhuma empresa deve pagar menos do que isso. Se a mesa travar, a categoria pode decidir pela greve (Constituição, art. 9º; Lei 7.783/1989) ou, em último caso, e se os patrões concordarem, levar a disputa ao TRT.

O que é convenção coletiva?

Convenção coletiva de trabalho (CCT) é o contrato entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato das empresas, previsto no art. 611 da CLT. Ela vale para toda a categoria na base: São Paulo, Cajamar, Cubatão, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Osasco e Santos.

Funciona assim:

  • os trabalhadores aprovam a pauta em assembleia;
  • o sindicato negocia com os patrões;
  • a proposta volta para a assembleia, que aceita ou rejeita (CLT, art. 612);
  • a convenção assinada vale por até 2 anos (CLT, art. 614, § 3º).

A Constituição reconhece a convenção como direito do trabalhador (art. 7º, XXVI). Ela pode ser cobrada na Justiça como lei da categoria.

O que é acordo coletivo?

Acordo coletivo de trabalho (ACT) é o contrato entre o sindicato dos trabalhadores e uma empresa, ou algumas empresas (CLT, art. 611, § 1º). Vale só para quem trabalha nelas: participação nos lucros (PLR), banco de horas de até 1 ano, turno daquela fábrica. Os trabalhadores da empresa também votam em assembleia.

A Constituição diz que a participação do sindicato é obrigatória em toda negociação coletiva (art. 8º, VI). Papel assinado pela empresa direto com os empregados não é acordo coletivo. A lei permite alguns ajustes por escrito entre empresa e empregado, como o banco de horas de até 6 meses (CLT, art. 59, § 5º), mas nada que reduza o que a convenção garante.

Convenção coletiva x acordo coletivo: qual vale?

Quando os dois tratam do mesmo assunto, vale o acordo coletivo (CLT, art. 620). A tabela mostra a diferença entre os três:

Convenção coletivaAcordo coletivoDissídio coletivo
Quem assinaSindicato dos trabalhadores e sindicato patronalSindicato dos trabalhadores e a empresaNinguém assina: a Justiça decide
Para quem valeToda a categoria na baseSó os empregados da(s) empresa(s) que assinaramQuem está na disputa
Quem aprovaAssembleia da categoriaAssembleia da empresaJuízes do TRT
Quanto tempo valeAté 2 anosAté 2 anosO que a sentença fixar
ExemploPiso, reajuste, abono, cestaPLR, banco de horas, turnoReajuste imposto pela Justiça

Por isso o sindicato não assina acordo de empresa de olhos fechados.

Existe um limite que nenhum dos dois passa. O art. 611-B da CLT lista direitos que negociação nenhuma reduz: salário mínimo, 13º, FGTS, férias com um terço a mais, licença-maternidade, saúde e segurança. A lei é o piso; a negociação vem por cima. A convenção coletiva dos papeleiros garante condições melhores que a lei em vários pontos. O sócio confere a íntegra no app do sindicato, e o resumo público está na página da convenção coletiva.

Quem não é sócio recebe a convenção?

Sim. A convenção vale para toda a categoria na base, sócio ou não (CLT, art. 611). O que muda é a força de quem negocia: sindicato com muitos sócios senta na mesa com mais peso. A mensalidade é voluntária, 1% do salário nominal, limitada hoje a R$ 40,00, e dá jurídico próprio, colônia de férias e benefícios.

A contribuição assistencial é outra coisa: prevista na convenção, de 1% do salário, teto de R$ 50,00, para toda a categoria. O STF decidiu em 2023 (Tema 935) que a cobrança é constitucional quando há direito de oposição; nos papeleiros, o prazo é de 10 dias. Opor-se é um direito. Mas é essa contribuição que paga a negociação, o jurídico e a estrutura que conquista a convenção para todos.

Perguntas frequentes sobre dissídio, convenção e acordo coletivo

Dissídio é a mesma coisa que reajuste?

Não. Dissídio é o processo na Justiça do Trabalho. O reajuste dos papeleiros sai da negociação com os patrões, na convenção coletiva. No dia a dia, "dissídio" virou apelido do reajuste.

Quem decide o que vai na pauta da campanha salarial?

Os trabalhadores, em assembleia convocada pelo sindicato. É a assembleia também que aprova ou rejeita a proposta final (CLT, art. 612). O sindicato leva à mesa o que a categoria aprovou.

O acordo da minha fábrica pode ser pior que a convenção?

Pela CLT, o acordo coletivo prevalece sobre a convenção (art. 620). Por isso ele só vale assinado com o sindicato e aprovado em assembleia. Recebeu algo para assinar sem o sindicato? Fale com a gente.

Onde vejo a convenção inteira?

No site, a convenção aparece em resumo. O sócio acessa a íntegra comentada no app do sindicato, com CPF e senha, e tem o jurídico para tirar dúvida sobre cada cláusula. Quem ainda não é sócio pode se filiar e passar a ter acesso.

Resumo

PerguntaResposta curta
O que é dissídio?Processo na Justiça do Trabalho quando a negociação falha (CF, art. 114, § 2º)
O que é convenção coletiva?Contrato entre os sindicatos, para toda a categoria (CLT, art. 611)
O que é acordo coletivo?Contrato entre sindicato e empresa, só para os empregados dela (CLT, art. 611, § 1º)
Qual prevalece?O acordo coletivo, pela regra atual (CLT, art. 620)
Quando é a data-base?1º de outubro
Quem recebe a convenção?Toda a categoria na base, sócio ou não

Tem dúvida sobre o que vale na sua fábrica? Fale com o sindicato pelo WhatsApp (11) 98574-0395 e acompanhe cada rodada na página da Campanha Salarial 2026/2027. A gente explica e cobra.

Direito conquistado não é favor. Cada linha foi negociada com a força da categoria. A convenção coletiva dos papeleiros garante condições melhores que a lei em vários pontos, e o sócio confere a íntegra no app do sindicato.